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História da AGMFC

História da AGMFC

 

       A história da AGMFC se mistura com a história da própria MFC do Rio Grande do Sul e do Brasil, com uma interface muito forte com a SBMFC (na época Sociedade Brasileira de Medicina Geral Comunitária – SBMGC). A descrição das histórias da MFC e AGMFC seguem abaixo.

História da MFC no RS

     “A primeira manifestação escrita e bem estruturada de que se tem notícia e que não deixa dúvidas tratar-se do que hoje denomina-se de APS e MFC foi o documento "Projeto de um Sistema de Saúde Comunitária", cuja primeira versão foi concluída em outubro de 1974 e a segunda, e definitiva, em abril de 2005. Tal projeto foi elaborado por profissionais que trabalhavam no então denominado Centro Médico Social São José do Murialdo, da Secretaria da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul, unidade de saúde localizada na periferia de Porto Alegre: Ellis D'Arrigo Busnello, Isaac Lewin, Sérgio Pacheco Ruschel e Patrícia Bradley, com a assessoria de Jorge Carbajal.

     Sem dúvida, esse projeto era altamente inovador e contra-hegemónico para a época, e, por um lado, foi natural o fato de ter sido pouco valorizado ou até mesmo ironizado naquele momento. Por outro lado, foi uma semente que gerou muitos frutos com o passar dos anos. Ainda em 1975, Carlos Grossman, juntamente com seus colegas Busnello, Lewin e Ruschel, concluiu o projeto de um Programa de Residência em Saúde Comunitária, que viria a ser implantado em janeiro do ano seguinte. Esse projeto determina que o Programa de Residência visa completar a formação de um médico, em termos de conhecimentos, de atitudes e de habilidades necessários.

     É surpreendente perceber que tudo isso, e muito mais, tenha sido escrito anos antes da Declaração de Alma Ata (1978), da realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986) e cerca de 20 anos antes da criação do Programa de Saúde da Família (1994) no Brasil. Esse foi, de fato, um documento inovador.

     Em 1976, iniciaram os três primeiros Programas de Residência Médica (PRM) nesta área no país, dentre eles o Centro de Saúde Escola Murialdo (Porto Alegre, RS) - que, na época, se denominava Centro Médico Social São José do Murialdo – um centro de saúde que continua ativo com cerca de 400 médicos especialistas nele formados por residência completa e um dos dois únicos serviços ativos desde essa época.

     Nessa "fase experimental", a especialidade e sua residência médica ainda tinham nomes variados e nenhum respaldo normativo ou legal. Existiam poucos programas de residência, e o mercado de trabalho nessa área quase inexistia para os egressos, exceto poucas vagas nos próprios serviços de saúde pública que mantinham os PRM.

     Em 1979, foi criada a primeira Residência Multiprofissional em Saúde Comunitária, no Centro de Saúde Escola Murialdo (RS), que segue existindo e tem muitos egressos, entre enfermeiros, odontólogos, psicólogos, assistentes sociais, nutricionistas, entre outras áreas. Houve períodos em que só foi mantida a Residência Médica, com breves interrupções da Residência Multiprofissional, e, desde 1999, passou a se denominar "Residência Integrada em Saúde" e é regulamentada por Portaria e Lei Estaduais no Rio Grande do Sul.

     Em dezembro de 1982, foi implantada a Unidade de Medicina de Família do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, que quebrou alguns paradigmas: era localizada dentro de instituição hospitalar tradicionalmente centrada em especialidades, fornecia atendimento universal para uma população geograficamente delimitada e circunvizinha ao hospital e dispunha de área de internação sob responsabilidade dos MGCs. Sua concepção foi resultado de projeto elaborado por Carlos Grosssman, Carlos Francisco Correa Dora e José Mauro Ceratti Lopes. Com a criação de mais 12 unidades nos anos seguintes, originou o atual Serviço de Saúde Comunitária do Grupo Hospitalar Conceição, um dos principais centros formadores MFC e referência no país.

 

Breve história da AGMFC

     Em março de 1986, em evento promovido pelo Departamento de Saúde Comunitária da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), em Porto Alegre, foram organizadas estratégias para se reativar a SBMGC e fundar a Sociedade Gaúcha dessa especialidade. Durante a 8ª Conferência Nacional de Saúde, em março de 1986, em Brasília, foi reativada a SBMGC, sendo eleita nova Diretoria, composta só de médicos gerais comunitários e presidida por João Werner Falk (professor do Departamento de Medicina Social da UFRGS), passando a sede para Porto Alegre. No mesmo ano, foi fundada a então Sociedade Gaúcha de Medicina Geral Comunitária, que passou a ajudar a SBMFC em tarefas e eventos. Outras "Sociedades Estaduais" dessa especialidade também foram organizadas, mas não chegaram a ser registradas.

     Em 1988, a diretoria da SBMGC saiu de Porto Alegre e foi para Belo Horizonte (MG), mas enfrentou dificuldades operacionais e, novamente, foi desativada em seguida. Já em 1990, ano da criação da Lei Orgânica do SUS, ocorreu a segunda reativação da SBMGC, por iniciativa da Sociedade Gaúcha de MGC, voltando para Porto Alegre a diretoria nacional.

     Em 1991, a SBMFC promoveu o 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral Comunitária/ 1º Congresso Brasileiro Multiprofissional em Saúde Comunitária, em Porto Alegre, com grande sucesso em número de participantes e no nível dos debates. Tinha como então presidente o MFC gaúcho Airton Stein.

    

      Em março de 2001, pela terceira vez na sua história, a SBMFC foi reativada, e, como nas outras vezes, sua nova diretoria foi eleita tendo como Presidente o Dr. João Werner Falk, e sua sede foi estabelecida em Porto Alegre, na AMRIGS. Mas, pela primeira vez, uma diretoria dessa sociedade incluiu membros de mais de um estado - Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná. Em agosto do mesmo ano, após longos debates em eventos e também por meio de Grupo de Discussão pela Internet, seguido de votação em dois turnos pela Internet, decidiu-se mudar o nome dessa especialidade médica para "Medicina de Família e Comunidade". A Sociedade Brasileira da área, bem como suas Sociedades Estaduais filiadas, também mudaram para esse nome e atualizaram estatutos. Foi então no final de 2001 que ocorreu a atualização do Estatuto para o atual nome de Associação Gaúcha de Medicina de Família e Comunidade (AGMFC). A diretoria era composta pelos MFCs José Mauro Ceratti Lopes e Luiz Felipe da Cunha Mattos.

   

  Desde então, a AGMFC vem mantendo atividades científicas locais bem como contribuindo na realização dos Congressos Sul-Brasileiros. Na sua quinta edição em 2014, ocorreu concomitantemente com o Congresso Mundial de Medicina Rural, em Gramado (RS), e em 2018 está na sua sétima edição em Florianópolis. Em 2020, com organização da AGMFC, está previsto o VIII Congresso Sul-Brasileiro de MFC em Porto Alegre.

 

Fonte: Adaptado de GUSSO, G.; LOPES, J. M. C.; DIAS, L. C. (Orgs.) Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

  Confira também um pouco da nossa história, nos vídeos abaixo: